
“CARNIS VALLES”
(Carvalho Branco)
“Carnis valles”, que alegria!
No meu tempo de criança,
carnaval pra mim seria
do ser feliz, esperança!...
Sentada ao portão das casas,
via jovens e petizes
arrastando suas asas
a Momo e suas matrizes...
De dia, blocos de sujo
percorendo a minha rua,
mas de noite, o dito cujo
Carnaval à luz da Lua!
Desfiles, junto a meu pai,
via eu nessa avenida:
Rio Branco, entra e sai,
sem precisar despedida...
Um dia, porém, cresci
e o carnaval popular
já não era o que vivi:
pra turista foi dançar.
Hoje precisa licença,
o bloco, pra desfilçar;
em brincar não mais se pensa,
quer-se mais “sassaricar”!...
Namoros, beijos, abraços,
faziam parte também.
Hoje, mais estreitos laços
tornam dois um só alguém...
Isso em plena luz do dia.
Se reclamar, diz: - Que tem?
É carnaval, pois, sorria!
Quer provar? Por que não vem?
É o sexo que no ar flutua.
Carnaval, festa pagã,
que envergonha a própria Lua!
Só o amor é emoção sã.
Se eu sou carnavalesca?
É claro, gosto de rir
de dançar e cuca fresca,
só não gosto de fingir.
Fingir que a promiscuidade
não graça nesta Nação!
Bom carnaval é saudade
guardada no coração.
Ternos pierrôs são só sonho,
quiçá, talvez ilusão...
A sonhar, porém, me ponho,
vou num bloco de roldão...
Prazer da carne, arlequim!
Quisera ser colombina
pra virem os dois a mim...
Não é sonho de menina!
Nesse sonho grandioso,
num carnaval de salão,
um pierrô bem garboso,
se achega e beija-me a mão.
“Máscara Negra” tocando,
nossas máscaras ao chão,
em rodopios, bailando,
arrastou-nos o cordão...
Perdi de vez meu pierrô,
meu sonho de Colombina!
Meu carnaval acabou
sem confete e serpentina!

(Carvalho Branco)
“Carnis valles”, que alegria!
No meu tempo de criança,
carnaval pra mim seria
do ser feliz, esperança!...
Sentada ao portão das casas,
via jovens e petizes
arrastando suas asas
a Momo e suas matrizes...
De dia, blocos de sujo
percorendo a minha rua,
mas de noite, o dito cujo
Carnaval à luz da Lua!
Desfiles, junto a meu pai,
via eu nessa avenida:
Rio Branco, entra e sai,
sem precisar despedida...
Um dia, porém, cresci
e o carnaval popular
já não era o que vivi:
pra turista foi dançar.
Hoje precisa licença,
o bloco, pra desfilçar;
em brincar não mais se pensa,
quer-se mais “sassaricar”!...
Namoros, beijos, abraços,
faziam parte também.
Hoje, mais estreitos laços
tornam dois um só alguém...
Isso em plena luz do dia.
Se reclamar, diz: - Que tem?
É carnaval, pois, sorria!
Quer provar? Por que não vem?
É o sexo que no ar flutua.
Carnaval, festa pagã,
que envergonha a própria Lua!
Só o amor é emoção sã.
Se eu sou carnavalesca?
É claro, gosto de rir
de dançar e cuca fresca,
só não gosto de fingir.
Fingir que a promiscuidade
não graça nesta Nação!
Bom carnaval é saudade
guardada no coração.
Ternos pierrôs são só sonho,
quiçá, talvez ilusão...
A sonhar, porém, me ponho,
vou num bloco de roldão...
Prazer da carne, arlequim!
Quisera ser colombina
pra virem os dois a mim...
Não é sonho de menina!
Nesse sonho grandioso,
num carnaval de salão,
um pierrô bem garboso,
se achega e beija-me a mão.
“Máscara Negra” tocando,
nossas máscaras ao chão,
em rodopios, bailando,
arrastou-nos o cordão...
Perdi de vez meu pierrô,
meu sonho de Colombina!
Meu carnaval acabou
sem confete e serpentina!